Pindorama
Terra da feijoada e do samba
do índio que andava pelado
vive o mesmo que o nego drama
onde descartam empregados
currículos são panfletos alados
se você não nasce muito rico
será mais um trabalhador escravizado
entre a mata vem carvão de mãos inocentes
que esquentam a carne dourada no espeto.
Pão de açúcar nos lábios ingleses
Pão de queijo em lojas da Europa
Somos tão ricos
Somos tão pobres
Do centésimo andar à lama
essa terra de ninguém
onde a língua tupi nomeia fronteiras municipais
você agora é só um souvenir de Tupã
Alguns são Curupiras que andam pra frente
mas achamos que andam para trás
Outros são como boto rosa
encantando sereias
e há muita mula sem cabeça nessa nossa aldeia
Meu coração golpeia como som de alfaia
minha fé não "faia"
Não tenho vergonha de ser brega
Não tenho vergonha de ter cores
Tenho muitos sotaques pra gritar jerimum
Apenas me entristece
o açoite em forma de lembrança
recordado 1 vez por ano
Os descendentes não respeitam mais os dentes
se vendem por espelhos que refletem um olhar estrangeiro
um terno e gravata.
Me deixaram aqui diante da fogueira
eu conto velhas histórias de aventura pra Tia Nastácia dormir em paz.
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